A Meditação e O Nosso Verdadeiro Eu

alexgrey2Embora hoje em dia, no mundo ocidental, a meditação seja vista em função do controle do estresse e do relaxamento, seu verdadeiro propósito é espiritual. Os iogues e videntes que primeiro reconheceram essas práticas já viviam bastante relaxados em suas cavernas no Himalaia. Eles meditavam para descobrir seu verdadeiro eu; meditavam para alcançar a iluminação.

De todas as experiências que podemos ter, a experiência do nosso eu interior é mais importante. O corpo é a experiência objetiva das nossas ideias, enquanto a mente é a sua experiência subjetiva. O corpo está em constante transformação, e a mente, com seus pensamentos, sentimentos e desejos, também vem e vai. Ambos são experiências ligadas ao tempo e espaço; não são o experimentador. Aquele que está tendo a experiência está além do tempo e espaço, é o verdadeiro você. É o fator intemporal em cada experiência ligada ao tempo, aquela que sente por trás do sentimento, aquela que anima o nosso corpo e nossa mente. É a alma.

Hoje a ciência nos permite rastrear um pensamento ou intenção um microssegundo depois de ele acontecer, mas todo o equipamento científico do mundo ainda não é capaz de nos dizer de onde o pensamento está vindo ou quem o está tendo. Você não pode encontrar o verdadeiro você na sua mente ou no seu corpo porque você simplesmente não está lá. Podemos ouvir Beethoven no rádio, mas não faz sentido desmontarmos o rádio para encontrar Beethoven. Ele não está lá. O rádio é apenas um instrumento que captura um campo de informação e o converte em um evento espaço-tempo. Analogamente, o você real é um campo não local de informação capturado no espaço e no tempo pelo corpo e pela sua mente. Sua alma, aquela que cria os pensamentos, se expressa por meio da mente e do corpo, mas quando o corpo e o cérebro são destruídos, nada acontece ao verdadeiro você. O espírito incondicional se situa nos espaços silenciosos entre os nossos pensamentos.

Existe um espaço entre cada um de seus pensamentos onde você fabrica seus pensamentos, onde você é um produtor de escolhas do infinito. Esse “intervalo” entre os pensamentos é a janela para seu eu superior, a janela para o eu cósmico. O verdadeiro você não pode ser espremido no volume de um corpo ou na duração de uma vida. Ele é o pensador no campo da memória e das informações no espaço entre os pensamentos.

O espaço entre os pensamentos é silencioso; ele é um silêncio fecundo. É um silêncio repleto de uma infinita possibilidade de pensamentos, um campo de potencialidade pura. Ele é o verdadeiro eu. O pensador é um fabricante de escolhas silencioso e infinito, que reside no nível do “intervalo”.

O verdadeiro você e o verdadeiro eu são ambos campos silenciosos de infinitas possibilidades. As diferenças entre você e eu são as diferenças experiências possíveis que escolhemos no nível do intervalo. A ação cria a memória, a memória cria o desejo e o desejo leva novamente à ação. As sementes das nossas lembranças e desejos no intervalo procuram se manifestar por intermédio dos instrumentos da mente e do corpo e criam todo o mundo em que vivemos.



Nossa existência possui três níveis: (1) o corpo físico, composto de matéria e energia; (2) o corpo sutil, que compreende mente, o intelecto e o ego; e (3) o corpo causal, que contém a alma e o espírito.

A prática da meditação tira nossa percepção do estado perturbado de consciência da mente e do mundo dos objetos físicos e a conduz ao estado sereno de consciência da esfera da alma e do espírito. Pela prática regular da meditação, obtemos acesso ao depósito infinito de conhecimento – a realidade última da criação.

Temos a experiência de quem realmente somos – consciência pura e ilimitada. Quando vivenciamos quem realmente somos, restauramos a memória da totalidade ou de cura na nossa vida.
 
— Texto de Deepak Chopra, extraído do livro O Caminho da Cura.
 

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