A Sabedoria dos Índios Lakota

58fe0717a17bc87ffedebcbf4bba79e9

‘A terra é profunda e a sua sabedoria é grande. Escute as pedras e escute o vento. Se todos fizessem algo pelos outros, não haveria ninguém necessitado em todo o mundo.’


No livro “Nem Lobo, nem Cão. Por Caminhos Esquecidos com um Índio Ancião”, Kent Nerburn nos traz o testemunho e as palavras de um índio Lakota. De tempos em tempos, sempre vale a pena lembrar ou voltar a olhar para estas culturas tão diferentes do nosso próprio estilo de vida.

Mas você pode estar se perguntando, por quê? Talvez porque nunca é demais conhecer algo novo a cada dia, algo que tem a ver com a nossa natureza como seres humanos. Às vezes, sem perceber, costumamos nos encher de pressa com o café da manhã, nos amarrando com obrigações e preocupações enquanto fechamos as janelas àquilo que, possivelmente, nos dá oxigênio e luz. O que é verdadeiramente importante.

Os pensamentos dos índios Lakota estão enraizados nas coisas simples que fazem por si só, um autêntico legado psicológico que merece ser lembrado. Trata-se de um tipo de sabedoria que pode nos ajudar perfeitamente a desenvolver algumas competências sociais e pessoais. Confira:
 
Audição ativa:
Os índios Lakota costumavam dizer que o homem branco sempre resolvia as coisas discutindo. Que eram incapazes de ouvirem uns aos outros para aprender. Esta é, sem dúvida, uma dimensão essencial em muitas perspectivas da psicologia atual: a escuta ativa.

‘Nós índios sabemos do silêncio. Não temos medo dele. De fato, pra nós é mais poderoso do que as palavras. Nossos anciãos foram educados nos modos do silencio e eles nos transmitiram esse conhecimento. Observe, escute e então aja, nos diziam. Essa é a forma de viver.’

 
Capacidade de Aprendizagem:
Manter uma mente aberta, saber observar, aprender para se adaptar e sobreviver. Os índios Lakota viviam da natureza e compreendiam a necessidade de aprender todos os dias, com o seu meio e as pessoas, para avançar na sobrevivência.

O respeito era essencial para eles, por isso nunca entendiam por que o homem branco jamais conseguiu ter o mesmo ponto de vista deles.  

‘Observe os animais para ver como cuidam das suas crias. Observe os anciãos para ver como se comportam. Observe ao homem branco pra ver o que ele quer. Sempre observe primeiro, com coração e mente quietos, e então você aprenderá. Quando você tiver observado suficientemente, então poderá agir’.



 
Solução de Conflitos:
Todos já lemos e inclusive aprendemos muitas das pautas redigidas em centenas de livros sobre a solução de conflitos, articuladas a partir de várias perspectivas psicológicas. Entre elas, estão a necessidade de saber ouvir de forma ativa, de ter empatia com o outro para compreender o seu ponto de vista, e de sermos suficientemente assertivos para colocar em voz alta os seus pensamentos e necessidades.

Os índios Lakota também tinham isso claro e tentaram transmiti-lo ao homem branco: a necessidade de ouvir, de guardar silêncio para entender uns aos outros.  

‘Nas suas festas todos procuram falar. No trabalho estão sempre tendo reuniões nas quais todos interrompem a todos e todos falam cinco, dez ou cem vezes. E a isso chamam de “resolver um problema”. Quando estão em um ambiente e há silêncio, ficam nervosos. Precisam preencher os espaços com sons. Assim, falam por impulso, mesmo antes de saber o que vão dizer.

Para os índios isto é uma falta de respeito e inclusive algo muito estúpido. Se você começar a falar, eu não vou lhe interromper. Quando você acabar, tomarei a minha decisão sobre o que você disse, tendo primeiro compreendido o seu ponto de vista.’

 
O valor que os Lakota atribuíam às palavras era essencial. Para eles “eram sementes para plantar e deixá-las crescer”. Talvez por isso chegaram a se entender e a manter-se tão unidos, tanto como povo, como unidade familiar. “Avis rara” para os homens brancos, que jamais tentaram compreender o porquê da sua tranquila e quietude, além da incompreensível harmonia e ar primitivo intimamente arraigado à natureza.
 
Pode ser que atualmente continuem nos parecendo estranhos e algo antiquados, mas o seu legado está coberto de grandes verdades e simples ensinamentos que merecem ser lidos e ouvidos com frequência. Em silêncio e para dentro de nós mesmos.

Para nos fazer refletir…
 
(Texto de Daniela Corcuera | Via: A Mente é Maravilhosa)
 

Compartilhar: