A Teia da Vida

a teia da vida

Isto sabemos, todas coisas estão ligadas como o sangue que une uma família… O que acontecer com a Terra acontecerá com os filhos e filhas da Terra. O homem não teceu a teia vida, ele é dela apenas um fio. O que ele fizer para a teia estará fazendo a si mesmo.
— Ted Perry, inspirado no Chefe Seattle.

 
Esta frase abre o livro A Teia da Vida, escrito pelo físico e ambientalista Fritjof Capra após 10 anos de pesquisas sobre teorias e estudos científicos que levaram à visão sistêmica da vida. Ecologia profunda, cibernética, pensamento sistêmico, tectologia, estruturas dissipativas, teoria da complexidade, teoria do caos, teoria de Santiago e outros estudos comprovaram a existência da teia da vida, a interligação e a interdependência entre todos os seres vivos, estruturas e elementos presentes no Planeta Terra e no Universo (afinal, o que seria de nós sem o Sol?).

Abordando os acontecimentos em ordem cronológica, Capra conseguiu conectar todas as teorias e estudos com maestria, refletindo, através de sua escrita e narrativa, o que os próprios cientistas comprovaram em suas pesquisas: a conectividade, inter-relação e interdependência entre todos os pontos da teia da vida. Além disso, o livro tem o mérito de falar de questões científicas com uma linguagem acessível, menos técnica.

Ao longo do texto, Capra vai nos mostrando como o planeta Terra é uma rede, uma cadeia viva de eventos que vão se relacionando e se modificando mutuamente. É um sistema, a Terra e todos os seres e elementos que nela existem fazem parte de um sistema. Do grego, a palavra sistema significa “colocar junto”, portanto, a visão sistêmica das coisas diz respeito a colocá-las dentro de um contexto e estabelecer qual a natureza das suas relações. E quando o “eu”, cada um de nós, se vê pertencente ao meio ambiente, não são necessárias advertências morais para que eu preserve o meio, pois o meu comportamento seguirá naturalmente a ética ambientalista.



 
No capítulo final do livro, Capra faz uma reflexão sobre o surgimento da visão fragmentada de mundo e expõe a necessidade de recuperarmos “nossa plena humanidade e nossa experiência de conexidade com a teia da vida”. É olhar para a natureza e para as relações naturais como um modelo a ser seguido pelas comunidades humanas.

Reconectar-se com a teia da vida significa construir, nutrir e educar comunidades sustentáveis. […] Ser ecologicamente alfabetizado, ou “eco-alfabetizado”, significa entender os princípios de organização das comunidades ecológicas (ecossistemas) e usar esses princípios para criar comunidades humanas sustentáveis. (p. 231)

Os seres humanos são apenas uma dentre milhares de espécies e necessitam da natureza e seus bens tanto quanto qualquer outra para sobreviver. É isso que a maioria das pessoas esquece. Os humanos não existem sozinhos, nós precisamos da natureza, da teia da vida, para sobreviver. Não é lutando contra ela que conseguiremos “progredir”, é se aliando a ela. Como disseram Margulis e Sagan, estudiosos do microcosmo, (apud Capra, p. 185), “a vida não se apossa do globo pelo embate, mas sim, pela formação de redes”.
 
(Texto de Letícia Klein | Via: Sustenta Ações)
 

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