Não existem limites

nãoexistemlimitesInspirado por biografias de grandes célebres que lia na Wikipedia, o autor australiano Gavin Aug Than criou coragem para ir em busca do que queria fazer de verdade. Designer gráfico durante oito anos, Gavin abandonou o emprego para se dedicar às suas verdadeiras paixões: ilustrar, ação e cartum. Nunca mais olhou para trás.

As citações, a aptidão para o desenho e a vontade de compartilhar sua paixão com os outros levaram-no a criar o site que agora é reconhecido mundialmente. O Lápis Zen (Zen Pencils, no original) foi destaque nos principais jornais e nomeado um dos 100 melhores sites de 2013 pela PC Magazine.

O Lápis Zen possui atualmente mais de 140 quadrinhos, resolvi fazer uma série de postagens das histórias que mais combinam com o conteúdo do Despertar Coletivo, que também são as minhas favoritas. São quadrinhos inspiradores e repletos de ensinamentos profundos, todos eles foram traduzidos e adaptados pelo pessoal do Outros Quadrinhos, lá você também encontra outros HQs incríveis, não deixe de conferir.
 
O sexto quadrinho da série Lápis Zen é baseada na história do grande artista marcial, ator, escritor, diretor e filósofo, Bruce Lee.

Em 1964, Bruce Lee havia se mudado de Oakland para Seattle e abriu sua própria escola de artes marciais chamada Jun Fan Gung-Fu (o nome chinês de Bruce é Jun Fan). Lee era especialista em Wing Chun, estilo chinês de Kung fu que aprendera quando adolescente em Hong Kong. Ele ensinava uma versão modificada do estilo Wing Chun a vários alunos – chineses, japoneses, brancos, negros. Qualquer um que quisesse aprender era bem-vindo.

Contudo, Oakland e São Francisco, a cidade vizinha, tinham uma comunidade chinesa muito grande e tradicionalista que não gostou de ver Lee dando aulas para alunos não chineses. Na época, o Kung fu ainda tinha uma aura mística, e as outras escolas eram muito protecionistas quanto às técnicas de luta. Elas passavam seus segredos de geração a geração como uma relíquia de família e sempre ficavam entre os seus. Lee dar aulas para alunos não chineses era uma ofensa muito séria.

A velha guarda deu um ultimato a Lee: pare de dar aulas para não chineses ou vamos visitar sua escola e lhe dar uma surra. Lee recusou-se. Ele passara a vida inteira sendo vítima de racismo (cresceu na Hong Kong durante a ocupação japonesa, era caçoado na infância por ter herança caucasiana e provavelmente também foi vitimizado nos EUA por ter herança chinesa). Portanto ele ia ensinar o que bem entendesse, é aí que começa esta HQ: um bando aparece na escola de Lee com seu lutador número um, Wong Jack Man, para desafiá-lo a uma luta.

O duelo mudou a vida de Lee. Embora tenha vencido, ele não venceu Wong da forma rápida e eficiente que gostaria. Depois de uma luta feia, Lee, sem fôlego e abatido, estava diante da dura realidade: não estava na sua melhor forma e o Wing Chun estava longe de ser um sistema completo para lutar.

Isso não é uma coisa que a maioria das pessoas consegue fazer facilmente: olhar para si de forma crítica e admitir que ainda tem muito a aprender, mesmo que outros rotulem-no de mestre. Mas Bruce Lee estava disposto a olhar objetivamente para sua performance e fazer as alterações necessárias.

Daí em diante, Lee levou seu treinamento a outro nível. Começou um treino pesado de aeróbica e força e também estudou estilos de luta variados.  Ele vivia, respirava e provavelmente sonhava com artes marciais. Ele refinou seu estilo de luta até criar um sistema que batizou de Jeet Kune Do, que pode ser traduzido como “O Modo de se Interceptar o Punho”.

Bruce Lee virou uma espécie de celebridade das artes marciais, sendo procurado até por especialistas em outros estilos, como o campeão de caratê e ator Chuck Norris. Ao longo dos anos Lee se transformou em uma máquina de lutar, sempre em forma, quase um super-humano, capaz de incríveis demonstrações de velocidade e força. O que precisou de muita dedicação, trabalho duro e determinação de nunca se ater aos próprios limites.



Não Existem Limites

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