O Conselho de um Cartunista

conselhocartunistaInspirado por biografias de grandes célebres que lia na Wikipedia, o autor australiano Gavin Aug Than criou coragem para ir em busca do que queria fazer de verdade. Designer gráfico durante oito anos, Gavin abandonou o emprego para se dedicar às suas verdadeiras paixões: ilustrar, ação e cartum. Nunca mais olhou para trás.

As citações, a aptidão para o desenho e a vontade de compartilhar sua paixão com os outros levaram-no a criar o site que agora é reconhecido mundialmente. O Lápis Zen (Zen Pencils, no original) foi destaque nos principais jornais e nomeado um dos 100 melhores sites de 2013 pela PC Magazine.

O Lápis Zen possui atualmente mais de 140 quadrinhos, resolvi fazer uma série de postagens das histórias que mais combinam com o conteúdo do Despertar Coletivo, que também são as minhas favoritas. São quadrinhos inspiradores e repletos de ensinamentos, todos eles foram traduzidos e adaptados pelo pessoal do Outros Quadrinhos, lá você também encontra outras tiras incríveis, não deixe de conferir.

O primeiro quadrinho da série é O Conselho de um Cartunista, a citação veio de um discurso de formatura de Bill Watterson, o artista e criador do Calvin e Haroldo, uma tirinha que conseguia transmitir a alegria da infância, o absurdo da humanidade e o poder da imaginação através da relação entre um menino e seu tigre de pelúcia. Confira:

O Conselho de um Cartunista



Um pouco da história de Bill Watterson

Depois de ser demitido do cargo de cartunista de política do Cincinatti Post, Watterson decidiu focar-se nas tiras. Falido, ele se viu obrigado a morar com os pais de novo e tinha um emprego fazendo layouts para publicidade que odiava, enquanto desenhava quadrinhos no tempo livre. Ele passou quatro anos nesse emprego, enviando tiras para os syndicates até Calvin e Haroldo ser aceita. A respeito deste período, Watterson escreveu: “A única maneira de aprender a escrever e desenhar é escrevendo e desenhando… persistir diante da recusa contínua requer um amor profundo pelo trabalho em si, e foi por aprender essa lição que eu não considerei Calvin e Haroldo uma coisa pronta, mesmo quando a tira decolou, anos depois.”

Bill Watterson abriu mão de milhões (talvez centenas de milhões) de dólares por nunca ter licenciado nem vendido Calvin e Haroldo. Ele teve uma longa e traumática disputa com seu syndicate quanto aos direitos de licenciamento. E embora tenha saído vencedor, ficou tão desiludido com a indústria que quase abandonou o cartunismo. “Trabalhei bastante para conseguir esse emprego, e trabalhei bastante depois para deixar que outras pessoas saiam por aí com a minha criação depois do sucesso. Se eu não pudesse controlar do que trata e o que representa meu trabalho, então o cartunismo teria pouco significado pra mim.”

Por sorte, Watterson não desistiu e ao invés disso tirou um ano sabático. Ávido para revigorar seu mojo criativo no retorno, ele propôs um layout radicalmente novo para suas tiras coloridas de domingo. O cartunista estava cansado das restrições de formato e queria mais espaço para experimentar e testar sua capacidade narrativa. Então ele fez uma proposta audaz aos editores de jornal: ou eles publicavam as tiras de domingo em metade da página, sem cortes, ou não publicavam de jeito nenhum. Nesta época, Calvin e Haroldo estava saindo há mais de cinco anos e fazia grande sucesso, então Watterson tinha moral para fazer isso. Apesar de temer cancelamentos, ele ficou surpreso ao ver que a maioria dos jornais apoiava a mudança. Livre das limitações, Bill Watterson nos deu tiras lindas e visualmente empolgantes que não se via desde os dias de glória dos quadrinhos de jornal. “Os últimos anos da tira, principalmente as dominicais, são do que eu mais me orgulho. Foi o mais próximo que pude chegar da minha visão de como a tira devia ser.”

Depois de trabalhar por muito tempo na tira, quando Calvin e Haroldo estava no auge da popularidade e era publicada em mais de dois mil jornais, o cartunista parou. Ele se entregara de corpo e alma ao projeto durante dez anos. “Eu não queria que Calvin e Haroldo se acomodasse na repetição, sem desafios, como acontece com muitas tiras de longa data. Eu estava pronto para ir atrás de outros desafios artísticos, trabalhar num ritmo menos frenético, com menos conflitos comerciais, e dar mais equilíbrio à minha vida.” Bill Watterson aposentou-se da tira e atualmente trabalha com pintura e música. Porém, as republicações de Calvin e Haroldo ainda saem em mais de 50 países.

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