Zeitgeist I – O Filme

A sociedade vive como se não houvesse mais nada ao seu redor além da simplicidade de suas vidas sem proposito. Completamente alienados sobre suas verdadeiras origens e sobre o seu verdadeiro potencial, controlados por um sistema que impõe a verdade, e aquele que ousar duvidar, é ridicularizado e excluído. A verdade, para a maioria, é o que se lê nos jornais ou se assiste nos telejornais. Mas essa, em grande parte, é uma verdade fabricada e repassada por outros, servindo quase sempre a propósitos alheios, ou seja, ela apresenta apenas uma perspectiva, a perspectiva que eles querem que você tenha.

Zeitgeist-themovieBaseado nesse princípio, um norte americano chamado Peter Joseph produziu um filme independente chamado Zeitgeist (2007), que já se encontra em sua terceira edição. Peter Joseph não está tentando promover uma verdade alternativa ou apontar um caminho a se seguir. O que ele vem tentando fazer com seus filmes é investigar fatos e desconstruir algumas “verdades” impostas por quem controla o jogo, introduzindo assim novas perspectivas.

O mecanismo de Zeitgeist na verdade é muito simples. Basta pegar o básico do mundo atual e suas formas de gerência e controle, que muita gente vive em seu cotidiano e mesmo assim ignora sua funcionalidade e jogar outros pontos de vista em cima, fornecendo material para tirarmos nossas próprias conclusões. O que vivemos como realidade imposta na verdade pode ser uma ilusão muito bem tramada e existem várias formas de interpretação. Em outras palavras, Zeitgeist faz um convite para a reflexão a partir de novas ideias e mostra os níveis e escalas da manipulação das massas, com fatos em sua maioria irrefutáveis, pois são recheados de exemplos práticos.

O título do filme não poderia ser mais apropriado ao que se propõe. Zeitgeist é uma palavra de origem alemã que quer dizer “espírito da era”, ou seja, é um termo para expressar o avanço intelectual e cultura de uma sociedade em um determinado período de sua existência.
O primeiro filme da trilogia foi lançado em 2007 e é dividido em três partes durante suas 2 horas.
A Parte I – “A Maior História já Contada” é sobre religião, um dos assuntos mais espinhosos da sociedade. Partindo antes mesmo do cristianismo o filme procura traçar paralelos entre a história da civilização e a criação de religiões. Existe muita polemica sobre essa parte, e gostaria de deixar claro que esta parte do filme não representa a opinião do Movimento Zeitgeist como um todo. O próprio criador do filme explica que o primeiro filme é um desabafo pessoal, os próximos dois filmes da trilogia que serão mais “profissionais”.
A Parte II – “O Mundo Inteiro é um Palco” fala sobre o 11 de setembro, evento que chocou o mundo e marcou profundamente a sociedade americana, servindo de trampolim para diversos conflitos gerados pelos EUA no Oriente Médio. A proposta é questionar o governo americano e esmiuçar sua participação no evento, que muitos acreditam ter sido um “trabalho interno”, ou seja, um ataque orquestrado pelo governo americano com objetivos à médio/longo prazo, tudo exibido com muitos fatos incontestáveis.
A Parte III – “Não Se Preocupe com os Homens Atrás das Cortinas” coloca o dedo na ferida do capitalismo, discutindo o sistema de forma global e mostrando como vários eventos mundiais são manipulados para gerar riqueza em prol de poucos dominadores, mantendo a sociedade em um nível de ignorância controlada para que não haja contestação, gerando com isso uma mão de obra de baixo custo muitas vezes beirando uma neo-escravidão.

Como é o primeiro filme de uma trilogia, Peter Joseph ainda não havia encontrado um ritmo apropriado para seus tópicos e muitos assuntos podem soar contundentes, mas de qualquer maneira é uma experiência imperdível. Se achar maçante e cansativo, tente continuar assistindo pois certamente o saldo final será super positivo e muitas informações serão chocantes e reveladoras. E lembre-se, a intenção de Peter J. não é fazer todos mudarem de opinião e passar a acreditar no que ele expõe, mas sim fornecer pontos de vista para nos libertarmos dos grilhões do poder.

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About Bernardo Sommer

Tudo que sei é que nada sei, pois o certo é duvidoso mas a duvida é certa. Mantenho a mente aberta.